livro Genealogia do Conhecimento

domingo, 25 de novembro de 2012

Serie 2 “Pedro, primeiro Papa? Claro que não!”

Pedro, o Primeiro Papa? Claro que Não!

Uma análise teológica, bíblica e histórica sobre o papado romano

“A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mt 23.9).

1. Definições iniciais: Papa, Papado, Pontífice e Vaticano

Neste capítulo, é necessário começar esclarecendo alguns termos importantes:

  • Papa: do grego pappas (παππᾶς) e do latim papa, significa “pai”. No Catolicismo Romano, designa o bispo de Roma e líder supremo da Igreja.

  • Papado: refere-se ao sistema eclesiástico em que o Papa é o chefe supremo da Igreja.

  • Papal: adjetivo relacionado ao Papa.

  • Pontífice: outro título atribuído ao Papa, derivado de “Pontifex Maximus”, um título romano pagão.

  • Vaticano: sede do poder papal, uma cidade-estado independente no coração de Roma.


2. A Reivindicação Católica: Pedro, o Primeiro Papa

O Catecismo de Baltimore, edição da Confraternity, afirma:

  • Q.147: “Cristo deu um poder especial a São Pedro, fazendo-o cabeça dos apóstolos e o principal mestre e administrador da Igreja”.

  • Q.148: “Esse poder foi transmitido aos seus sucessores, o Papa, o Bispo de Roma”.

  • Q.159: “O supremo poder de Pedro passou por uma linha ininterrupta de sucessores”.

No entanto, a Bíblia não ensina que Pedro foi o primeiro Papa, nem que ele tenha exercido autoridade suprema sobre os demais apóstolos. Tampouco há evidência bíblica de que Pedro tenha estado em Roma.


3. O que a Escritura diz sobre Pedro

Jesus corrigiu seus discípulos por buscarem autoridade uns sobre os outros:

“...Quem quiser tornar-se grande entre vós, seja vosso servo” (Mt 20.25-27).

Pedro foi publicamente repreendido por Paulo em Antioquia:

“Quando Pedro veio à Antioquia, resisti-lhe face a face, porque era repreensível” (Gl 2.11).

Em sua própria carta, Pedro não reivindica nenhuma supremacia:

“Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles...” (1Pe 5.1).
“...nem como dominadores dos que vos foram confiados...” (1Pe 5.3).
“...ao Pastor e Bispo das vossas almas” (1Pe 2.25).

Quando Cornélio se prostrou diante de Pedro, ele o impediu:

“Levanta-te, que eu também sou homem” (At 10.25-26).


4. Pedro esteve em Roma? Evidências bíblicas e silêncio eloquente

  • Pedro nunca menciona Roma em suas epístolas. Em 1Pedro 5.13, cita "Babilônia", que muitos católicos interpretam como referência simbólica a Roma. Contudo, a linguagem de Pedro é literal e direta, ao contrário da linguagem apocalíptica de João no Apocalipse (Ap 17.5).

  • Quando Paulo escreveu à igreja de Roma (Rm 1.11; Rm 16.3-16), não mencionou Pedro — o que seria estranho, caso ele estivesse lá como seu bispo.

  • Em Atos dos Apóstolos, Pedro é ativo em Jerusalém, Samaria, Jope e Antioquia — não há nenhuma menção de sua presença em Roma. O autor de Atos, Lucas, ignora qualquer relação de Pedro com Roma.


5. O Concílio de Jerusalém e a liderança de Tiago

Em Atos 15, o Concílio da Igreja foi presidido por Tiago, não por Pedro (At 15.13-21). Pedro participou, mas não dirigiu nem concluiu os debates. Além disso, em At 8.14, Pedro foi enviado pelos apóstolos — e não o contrário.


6. O Papado: Uma construção histórica posterior

A maioria dos historiadores não católicos identifica Gregório I (Gregório Magno), que reinou de 590 a 604 d.C., como o primeiro Papa com autoridade universal. Isso se deu seis séculos após Pedro.

A Enciclopédia Católica e o historiador católico John Wycliffe atestam que o papado, como o conhecemos, é uma construção eclesiástica pós-apostólica, sem base direta no Novo Testamento.


7. O Papa como "Vicário de Cristo"?

O Catecismo de Nova York afirma que o Papa é o “representante de Cristo” e o “cabeça da Igreja”. João XXIII disse em 1958 que ninguém pode se salvar sem estar unido ao Papa.

Contudo, a Bíblia afirma que o verdadeiro Vicário de Cristo é o Espírito Santo:

“Mas o Consolador, o Espírito Santo... vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26).

O Papa não é necessário, pois o próprio Cristo prometeu que o Espírito estaria com a Igreja “todos os dias” (Mt 28.20).


8. Infalibilidade Papal? Uma doutrina insustentável

A infalibilidade papal foi proclamada no Concílio Vaticano I (1870). Mas Pedro foi tudo, menos infalível:

  • Repreendido por Jesus (Mt 16.22-23).

  • Negou Cristo três vezes (Mt 26.69-75).

  • Repreendido por Paulo por hipocrisia (Gl 2.11-14).

Além disso, houve divisões papais históricas, como o Grande Cisma do Ocidente (1378–1417), quando três papas rivais se excomungavam mutuamente. Qual deles era infalível?


9. O Papa é cabeça da Igreja? Não!

Cristo é o único cabeça da Igreja:

“...Cristo é a cabeça da Igreja...” (Ef 5.23).
“...e o constituiu como cabeça da Igreja...” (Ef 1.22-23).
“Ele é a cabeça do corpo, da Igreja... para que em tudo tenha preeminência” (Cl 1.18).


10. O papado em contraste com Cristo

CRISTOO PAPA
Usou coroa de espinhos (Mt 27.29)Usa coroa de ouro e joias
Lavou os pés dos discípulos (Jo 13.5)Recebe genuflexões e beijos nos pés
Disse: “Meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36)Reivindica autoridade sobre reis e nações
Foi pobre e humilde (Lc 9.58)Vive no luxo e riqueza material
Disse: “Não chameis ninguém na terra de pai” (Mt 23.9)Requer o título de “Santo Padre”

11. Conclusão pastoral e teológica

Toda a doutrina papal — infalibilidade, sucessão apostólica, vicariato de Cristo — é sem respaldo bíblico. Ela repousa sobre tradição humana e poder eclesiástico, não sobre o Evangelho.

O verdadeiro fundamento da Igreja é Cristo, não Pedro:

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11).

A Confissão Batista da Filadélfia (1743) declara:

“O Senhor Jesus Cristo é o único cabeça da Igreja... O Papa de Roma não é, de forma alguma, o cabeça da Igreja, mas é o anticristo, o homem do pecado, o filho da perdição...”.

A coroa tripla do Papa — símbolo de autoridade sobre céu, terra e inferno — se assemelha mais à tentação do diabo:

“Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.9).
“Então Jesus lhe disse: Vai-te, Satanás!” (Mt 4.10).

Somente a Escritura é infalível (2Tm 3.16). Somente o Espírito Santo é o intérprete perfeito (Jo 16.13). Somente Cristo é o cabeça da Igreja (Ef 1.22). Qualquer sistema que coloque um homem no lugar de Cristo é usurpador e anticristão.

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, jamais verão a alva” (Is 8.20).


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Referências

  • Bíblia Sagrada, ARA e ARC

  • Catecismo de Baltimore e de Nova York

  • Enciclopédia Britânica, verbetes sobre Alexandre VI e o papado

  • Batistas e Suas Doutrinas, B. H. Carroll

  • Confissão Batista de Filadélfia, 1743


AMOR FRATERNAL

O Amor Fraternal: A Evidência da Vida no Espírito

Não há advertência mais profunda e relevante nas Escrituras quanto ao uso dos dons espirituais sem o devido fundamento do amor do que aquela registrada por Paulo aos crentes em Corinto. A igreja de Corinto era espiritualmente vibrante, mas carecia de maturidade emocional e relacional. Paulo reconhece a atuação dos dons entre eles (1Co 1.7), mas chama atenção para o fato de que, sem amor, até mesmo os dons mais extraordinários se tornam vazios de valor eterno (1Co 13.1-3).

O apóstolo afirma, com clareza, que o amor é a "mais excelente" maneira (1Co 12.31), pois ele é o fruto do Espírito que dá sentido a todos os demais dons (Gl 5.22). O amor fraternal, portanto, não é opcional para o cristão — é evidência da sua regeneração, da habitação do Espírito e da nova natureza recebida em Cristo (1Jo 4.7-8).

O amor é nossa responsabilidade mútua

"Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?" (Gn 4.9)

Desde o princípio, Deus nos responsabiliza por nossos irmãos. O amor fraternal nos chama à responsabilidade uns pelos outros, combatendo o individualismo e o egoísmo que marcam o mundo caído.

O amor perdoa e acolhe quem nos feriu

"Então, disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito" (Gn 45.4)

José é o exemplo do perdão divino em ação humana. Ele acolhe seus irmãos mesmo após a traição, imagem profética de Cristo que, na cruz, orou: “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23.34). O amor não guarda rancor (1Co 13.5).

O amor acolhe o estrangeiro e o diferente

"Como o natural, será entre vós o estrangeiro... amá-lo-eis como a vós mesmos" (Lv 19.34)

O amor fraternal estende-se ao estranho, ao que é diferente de nós. A verdadeira fé é marcada pela hospitalidade, pelo respeito à dignidade humana e pela memória de que fomos forasteiros espirituais antes de sermos acolhidos por Deus (Ef 2.12-13).

O amor é inseparável da comunhão com Deus

"O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade" (Sl 15.2)

A proximidade com Deus exige santidade relacional. Não há permanência na presença de Deus sem retidão no trato com o próximo. Isso inclui evitar fofocas, julgamentos e desprezo (Tg 4.11-12).

O amor perdoa como fomos perdoados

"Pois tu, Senhor, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam" (Sl 86.5)

Deus nos perdoou abundantemente em Cristo (Cl 2.13). Se fomos perdoados, também devemos perdoar (Ef 4.32), pois o perdão é o caminho da liberdade e da restauração.

O amor cristão ama até os inimigos

"Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (Mt 5.44)

Jesus nos chama a transcender a lógica humana do “olho por olho” e a viver o amor como expressão do Reino de Deus, mesmo quando não somos correspondidos. Esse é o amor ágape — sacrificial, voluntário e redentor.

O amor de Deus é incondicional

"Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga" (Lc 6.35)

Amamos não por interesse ou mérito do outro, mas porque o Pai é benigno até com os ingratos e maus. Se queremos ser reconhecidos como filhos do Altíssimo, devemos espelhar Seu caráter.

O amor serve sem buscar reconhecimento

"Se alguém me serve, siga-me... e o Pai o honrará" (Jo 12.26)

O verdadeiro amor tem espírito de servo, desapega-se do status e da autopromoção, e se entrega ao serviço humilde, como fez o Senhor ao lavar os pés dos discípulos (Jo 13.14-15).

O amor fraternal é o mandamento central de Cristo

"O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12)

Jesus estabelece o amor como medida da maturidade espiritual. Amar como Ele amou é doar-se, é sofrer junto, é caminhar com o outro até o fim. É morrer para si mesmo em favor do irmão (1Jo 3.16).

O amor fraternal nasce da natureza divina

“Com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor… fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos” (2Pe 1.7-8)

O amor não é apenas um sentimento: é fruto de uma natureza regenerada. Ele nos livra da frieza, da amargura, do orgulho e nos torna produtivos no pleno conhecimento de Cristo.


Conclusão: O amor é o vínculo da perfeição

“Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito” (Cl 3.14)

O amor fraternal é o marco distintivo da Igreja verdadeira (Jo 13.35). Onde há amor, há a presença do Espírito. Onde há indiferença, competição e julgamento, há carência de vida espiritual.

Que o Espírito Santo nos conduza ao crescimento nesse amor — não como um ideal abstrato, mas como uma prática concreta no dia a dia. Que sejamos irmãos de verdade, servos sinceros e testemunhas vivas do amor de Deus.

Pense nisso. Viva isso. Espalhe isso.

“Amemos não de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade” (1Jo 3.18)

Graça e paz em Cristo.

Por Pr. Walker Henrique de Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento.