📖 PARTE 4 — A REFORMA PROTESTANTE E A REJEIÇÃO DO PAPA
“Não devemos obedecer a homens antes que a Deus.”
(Atos 5:29)
O século XVI marca uma virada radical na história da Igreja. Diante da corrupção institucional, da venda de indulgências, da opressão espiritual e da distorção do Evangelho, homens de Deus se levantaram para resgatar a verdade das Escrituras.
Eles não reformaram apenas doutrinas, mas rejeitaram o papado como heresia institucionalizada. Essa rejeição foi bíblica, teológica e histórica. Para os reformadores, o Papa não era o sucessor de Pedro — mas o Anticristo profetizado nas Escrituras.
⛪ 1. A Igreja antes da Reforma: Um império espiritual em decadência
No final da Idade Média, o Papa governava como monarca absoluto. Acumulava poder político, riquezas incalculáveis e uma corte corrupta. Indulgências eram vendidas em troca do perdão dos pecados. A salvação estava aprisionada nas mãos do clero.
A Reforma Protestante foi, portanto, uma chamada ao arrependimento — não apenas moral, mas doutrinária.
🔨 2. Lutero: “O Papa é o próprio Anticristo”
Em 1517, Martinho Lutero afixou suas 95 Teses em Wittenberg. Seu alvo inicial era a venda de indulgências. Mas ao estudar a Bíblia, Lutero descobriu que a justificação vem somente pela fé, e que Cristo é o único Mediador.
Ele escreveu:
“Negamos que o Papa seja, de direito divino, o cabeça da Igreja. A verdadeira Igreja é onde a Palavra é pregada corretamente e os sacramentos administrados segundo o Evangelho.”
(Artigos de Esmalcalde, 1537)
Na Confissão de Augsburgo, os luteranos declaram:
“O Papa é por direito humano, mas não divino; usurpou autoridade sobre a Igreja.”
📜 3. Calvino: “Cristo, e não o Papa, é o Cabeça”
João Calvino, em sua obra As Institutas da Religião Cristã, afirmou:
“Chamamos de Anticristo o Papa, não por um impulso leviano, mas por razões evidentes. Ele se opõe à doutrina de Cristo, usurpa Sua autoridade e perverte o Evangelho.”
Para Calvino, o papado era um desvio eclesiástico histórico e uma negação prática da supremacia de Cristo.
🗡️ 4. Outras vozes da Reforma
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John Wycliffe (século XIV): Chamado de “Estrela da Manhã da Reforma”, traduziu a Bíblia para o inglês e chamou o Papa de “orgulho anticristão de Roma”.
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Jan Hus: Mártir reformador da Boêmia, queimado vivo por se opor à infalibilidade papal e defender a autoridade das Escrituras.
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Batistas primitivos: Desde a Confissão de Londres (1689) até a Filadélfia (1743), o papado foi identificado como o homem do pecado e o filho da perdição (2 Tessalonicenses 2:3-4).
📖 5. A Bíblia responde: Cristo é o único Cabeça
“E Ele é a cabeça do corpo, da igreja...”
(Colossenses 1:18)
“Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”
(1 Timóteo 2:5)
A Escritura nunca ensina sucessão apostólica papal, nem infalibilidade humana. Ao contrário, ela exalta Cristo como Supremo Pastor (1 Pedro 5:4) e o Espírito Santo como único Vicário (João 14:26).
📚 Fontes Históricas e Acadêmicas:
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Martinho Lutero. As 95 Teses; Artigos de Esmalcalde
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João Calvino. As Institutas da Religião Cristã, Vol. 4
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Justo L. González. A Era dos Reformadores, Vida Nova
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B. H. Carroll. Batistas e Suas Doutrinas
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Philip Schaff. History of the Christian Church, Vol. VII
✍️ Destaques para citação no blog:
“A Reforma não atacou apenas erros morais, mas o próprio trono do Papa.”
“Cristo é o único Cabeça da Igreja. O papado é uma usurpação espiritual e histórica.”
“A Igreja Reformada nasceu do retorno à Escritura, e da rejeição ao domínio humano sobre a fé.”