📖 PARTE 2 — O CISMA DO OCIDENTE: TRÊS PAPAS, UMA SÓ CONFUSÃO
“Por seus frutos os conhecereis...” (Mateus 7:20)
Imagine-se no século XIV. A Europa está em crise, assolada por pestes, guerras e fome. A Igreja, que deveria ser um refúgio de fé, mergulha num escândalo: três homens se autoproclamam o único verdadeiro Papa. Cada um com sua corte, sua bula papal, seu séquito de cardeais... e sua excomunhão contra os outros dois.
Esse é o cenário do Grande Cisma do Ocidente (1378–1417), uma das páginas mais sombrias da história da Igreja Católica. E é aqui que a doutrina do papado começa a ruir sob o peso de sua própria contradição.
🕍 O Início do Cisma
Com a morte do Papa Gregório XI, os cardeais romanos, pressionados pela população local, elegeram Urbano VI. Mas sua postura autoritária logo irritou os mesmos cardeais que o elegeram, e eles passaram a dizer que sua escolha havia sido forçada. Então, convocaram um novo conclave e elegeram Clemente VII, que estabeleceu sua sede em Avignon, na França.
Agora havia dois papas. Um em Roma. Outro na França. Ambos afirmando autoridade divina e excomungando o outro.
⚔️ A Duplicação do Papado
Durante quase 30 anos, dois papas rivais dividiram a cristandade:
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Os países que apoiavam a França (como Escócia e Castela) seguiam o Papa de Avignon.
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Os que apoiavam Roma (como Inglaterra e o Sacro Império Romano) seguiam o Papa de Roma.
Cada Papa nomeava seus próprios cardeais, administrava indulgências e gerava um verdadeiro caos teológico e político. O escândalo se tornou insustentável.
🏛️ O Concílio de Pisa e os Três Papas
Em 1409, um grupo de cardeais convocou o Concílio de Pisa. Eles depuseram os dois Papas rivais e elegeram um terceiro: Alexandre V.
Mas... os dois Papas anteriores recusaram sair.
Agora havia três Papas simultaneamente.
🕊️ O Concílio de Constança e a Tímida Solução
Finalmente, o Concílio de Constança (1414–1418), com apoio imperial, conseguiu depor dois Papas e forçar o terceiro a renunciar. Foi eleito Martinho V, encerrando oficialmente o cisma.
Mas o estrago estava feito. A infalibilidade do papado, sua suposta sucessão apostólica, sua unidade e autoridade moral estavam em pedaços diante do mundo.
Como pode o “único representante de Cristo na terra” ter três versões simultâneas? Qual dos três era infalível?
📜 A Palavra de Deus responde
O apóstolo Paulo diz:
“Deus não é Deus de confusão, senão de paz.” (1 Coríntios 14:33)
O sistema papal, nessa época, não produziu paz, nem unidade, nem santidade. Produziu escândalo, divisão e incredulidade.
🔍 O Que Aprendemos com o Cisma?
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A sucessão papal não é uma linha ininterrupta e santa, mas uma história cheia de fraudes, simonias e disputas políticas.
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O ofício papal não tem base sólida nas Escrituras. Nenhum apóstolo reivindicou tal primazia.
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O caos institucional mostra que a Igreja de Cristo não pode ser fundamentada em homens, mas em Cristo e na Sua Palavra.
📚 Fontes históricas:
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Justo L. González, História do Cristianismo, Vol. 1, Vida Nova.
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Eamon Duffy, Santos e Pecadores: A História dos Papas, Loyola.
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Philip Schaff, History of the Christian Church, Vol. VI.
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Concílio de Constança, Documentos e Atas oficiais (1414–1418).
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