livro Genealogia do Conhecimento

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

PARTE 3 — O CONCÍLIO DE TRENTO E A CONSTRUÇÃO DO ABSOLUTISMO PAPAL

 📖 PARTE 3 — O CONCÍLIO DE TRENTO E A CONSTRUÇÃO DO ABSOLUTISMO PAPAL

“Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:8)

Após o terremoto causado pela Reforma Protestante no século XVI, a Igreja Católica reagiu de forma contundente. Convocou o mais duradouro e decisivo de seus concílios: o Concílio de Trento (1545–1563). Seu objetivo? Reafirmar os pilares do catolicismo e consolidar o poder absoluto do Papa sobre a fé e a moral.

O que era até então uma liderança respeitada tornou-se dogma central e infalível. O papado foi blindado. A tradição foi igualada à Bíblia. A Reforma foi condenada com anátemas. E o Papa, elevado a um trono de autoridade incontestável.


🏛️ 1. O Concílio que tentou salvar Roma

Diante do avanço do protestantismo, iniciado em 1517 com Martinho Lutero, o Vaticano viu-se forçado a responder. O Concílio de Trento reuniu-se em várias sessões ao longo de 18 anos. Em vez de promover reformas espirituais profundas, Trento dogmatizou a autoridade do Papa e endureceu as barreiras contra qualquer contestação doutrinária.

Entre os principais decretos:

  • A tradição eclesiástica foi elevada ao mesmo nível da Sagrada Escritura.

  • O Papa foi declarado juiz supremo e infalível em questões de fé e moral.

  • A interpretação bíblica ficou restrita ao magistério católico, proibindo a leitura pessoal das Escrituras fora do controle da Igreja.

  • A salvação pela fé somente foi rejeitada com anátema.

“Se alguém disser que o homem é justificado somente pela fé... seja anátema.” (Concílio de Trento, Cânon IX)


📌 2. Um Papado centralizador e tirânico

Trento não só rejeitou as doutrinas reformadas, como também reforçou um sistema de centralização absoluta no Papa, criando uma espécie de monarquia espiritual infalível. O resultado foi:

  • O fortalecimento da Inquisição Romana.

  • A censura de livros (Índice dos Livros Proibidos).

  • A perseguição a todos os que se opusessem ao dogma papal.

Esse processo culminaria mais tarde no Concílio Vaticano I (1870), com a doutrina da Infalibilidade Papal sendo oficialmente declarada.

“O Papa... quando fala ex cathedra... possui a infalibilidade de Cristo.”
(Concílio Vaticano I, Constituição Pastor Aeternus)


📖 3. O que diz a Escritura?

A Palavra de Deus afirma que somente Deus é infalível. Nem Pedro, nem Paulo, nem João jamais reivindicaram autoridade absoluta sobre a Igreja. Pelo contrário:

  • Paulo confronta Pedro publicamente (Gálatas 2:11-14)

  • Pedro se declara “presbítero entre vós” (1 Pedro 5:1), não cabeça infalível

  • Jesus declara: “Um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo.” (Mateus 23:10)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar...” (2 Timóteo 3:16)

A Bíblia — e não o Papa — é a única regra infalível de fé e prática para o cristão.


🧠 4. Consequências teológicas do absolutismo papal

Com o Papa como suprema autoridade:

  • A consciência individual foi silenciada.

  • O livre exame das Escrituras foi proibido.

  • O clero se tornou intermediário necessário entre Deus e os fiéis.

  • O Espírito Santo foi substituído, funcionalmente, pela “voz do Papa”.

O Evangelho da graça foi encoberto por um sistema religioso baseado em rituais, méritos e submissão cega a uma hierarquia.


📚 Fontes Históricas e Acadêmicas:

  • Concílio de Trento – Decretos e Cânones (1545–1563)

  • González, Justo L. A História do Cristianismo, vol. 2. São Paulo: Vida Nova.

  • Bavinck, Herman. Dogmática Reformada, vol. 4. Cultura Cristã.

  • McGrath, Alister. Teologia Histórica. Shedd Publicações.

  • R. C. Sproul. Sola Scriptura. Fiel.


✍️ Destaques para citação no blog:

“O Concílio de Trento não reformou, apenas oficializou o autoritarismo romano.”

“Ao declarar o Papa infalível, a Igreja Católica removeu a centralidade das Escrituras e exaltou um homem ao trono de Cristo.”

“A Palavra de Deus nunca foi dada ao Papa, mas à Igreja de Cristo, selada pelo Espírito.”


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