livro Genealogia do Conhecimento

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cristão e o Natal

🎄 O VERDADEIRO NATAL: Entre o Cristo das Escrituras e o Sol Invicto do Império

📖 Texto Base:

João 1:9-14
"A verdadeira luz, que ilumina a todos, estava chegando ao mundo... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..."


1. 📜 O CONTEXTO HISTÓRICO DO NATAL

25 de dezembro não foi a data do nascimento de Jesus, mas a cristianização de uma festividade pagã.

  • No Império Romano, o dia 25 de dezembro era consagrado ao “Natalis Solis Invicti” — nascimento do “Sol Invencível”, que representava o deus Mitra.

  • Mitra nasceu de uma virgem, em uma gruta, foi visitado por magos e celebrava-se sua chegada como "salvador da humanidade".

  • Aureliano, imperador romano, instituiu o culto oficial do Sol Invicto em 273 d.C.

  • Constantino (317–337 d.C), o primeiro imperador romano dito cristão, oficializou o cristianismo e adaptou as festividades do solstício de inverno para celebrar o nascimento de Jesus — um ato de sincretismo.

📚 "A Igreja procurou substituir as festas pagãs por festas cristãs para facilitar a conversão dos povos." (Justino Mártir, séc. II)


2. ☀️ MITRA E O CRISTO "SOLAR": UM SINCRETISMO ESTRUTURADO

  • O culto de Mitra, Apolo, Ra e Baal era comum no império e associava o deus-sol à vida, vitória e renascimento.

  • A estrela de Belém, segundo astrônomos cristãos como Johannes Kepler, pode ter sido a conjunção de Júpiter e Saturno em 7 a.C.

  • Jesus é chamado de “Sol da Justiça” (Malaquias 4:2), mas no contexto bíblico, Ele é o cumprimento das profecias messiânicas, não o substituto de deuses solares.

📖 "Eu sou a luz do mundo; quem me segue, nunca andará em trevas." (João 8:12)

🎓 Carl Jung (psicanalista) identificou arquétipos coletivos como o do herói solar: um salvador que vence as trevas. Segundo ele, o inconsciente coletivo moldou símbolos religiosos universais.


3. 👑 A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO E O NATAL POLITIZADO

  • Em 25 de dezembro de 800 d.C., Carlos Magno foi coroado imperador pelo Papa Leão III, consolidando o vínculo entre poder político e celebração religiosa.

  • A celebração do nascimento de Jesus tornou-se também ato político e imperial, reforçando a autoridade da Igreja sobre o Estado.


4. 👩‍👦 CULTO À MÃE VIRGEM: DE ÍSIS A MARIA

  • Ísis no Egito, Cibele na Frígia, Astarote na Babilônia, todas eram “mães virgens” que davam à luz um deus-menino.

  • Maria foi “paganizada” com imagens e rituais inspirados nesses cultos.

📖 "A virgem conceberá e dará à luz um filho..." (Isaías 7:14 / Mateus 1:23)

🧠 "O arquétipo da Mãe, seja como Ísis ou Maria, representa o inconsciente coletivo da proteção e da fertilidade." (Carl Jung, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo)


5. 🛐 A RELIGIÃO DO IMPÉRIO: DA PERSEGUIÇÃO À PERSEGUIÇÃO

  • O cristianismo primitivo foi perseguido, mas com Constantino, torna-se religião do império.

  • A Igreja passa a perseguir os que não se adequam à nova ortodoxia: pagãos, gnósticos e hereges.

  • Estabelece-se uma “nova ordem espiritual”, mas com velhos fundamentos mitológicos.

📖 "O meu reino não é deste mundo." (João 18:36)
✍️ "A verdade não pode ser imposta por decreto, mas crida por convicção." (Tertuliano, séc. III)


6. 🎅 O NASCIMENTO DE PAPAI NOEL

  • São Nicolau de Mira, bispo do século IV conhecido por caridade e milagres, é a base histórica.

  • Na Idade Média, tornou-se padroeiro das crianças.

  • Com a Coca-Cola em 1931, sua imagem foi remodelada para a figura comercial do "bom velhinho".

📚 “O espírito do Natal foi deslocado de Cristo para o consumo.” (Francis Schaeffer, teólogo cristão)


7. 🧠 O ARQUÉTIPO DO HERÓI: JESUS OU MITO?

  • Toda cultura projeta heróis: nascidos de forma milagrosa, perseguidos na infância, sacrificados e ressuscitados.

  • Jesus não é apenas um mito solar, mas a Palavra eterna encarnada (João 1:14), que viveu, morreu e ressuscitou de fato (1 Coríntios 15).

📖 "Porque vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor." (Lucas 2:11)
✍️ "O Logos se fez carne — isso não é mito, é escândalo." (Dietrich Bonhoeffer)


8. 🛑 NATAL OU CONSUMISMO?

  • A festividade de Jesus foi substituída por presentes, consumo e glamour.

  • O verdadeiro Natal celebra a Encarnação do Verbo, a vinda do Salvador.

📖 "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem Ele quer bem." (Lucas 2:14)

🧠 “Vivemos sob o império do desejo e não da fé. Precisamos resgatar o sentido da Encarnação.” (Paul Tillich)


✅ CONCLUSÃO TEOLÓGICA E PASTORAL

  • Não é errado celebrar o nascimento de Cristo, mas devemos discernir os elementos que se infiltraram no culto e que distorcem a centralidade de Cristo.

  • Jesus não é um arquétipo, mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

  • O Natal deve ser uma celebração bíblica, cristocêntrica, evangelizadora e santa.

📖 "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente..." (Romanos 12:2)


🗣️ SUGESTÃO DE APLICAÇÃO PARA A IGREJA:

  • Celebre o Natal com culto centrado na Encarnação (João 1:14).

  • Reforce a importância da humildade de Cristo (Filipenses 2:5-11).

  • Use o Natal para evangelizar — a Verdadeira Luz veio ao mundo!



🎄 COMO O NATAL É VISTO PELOS PAIS DA IGREJA E TEÓLOGOS CONTEMPORÂNEOS


1. 📜 OS PAIS DA IGREJA E O NATAL: ENCARNAÇÃO, MISTÉRIO E ORTODOXIA

Nos primeiros séculos, a festa do Natal não era amplamente celebrada. O foco maior estava na Páscoa e na ressurreição de Cristo, considerados eventos fundacionais da fé cristã. Porém, com o tempo, o mistério da Encarnação ganhou relevância teológica, principalmente como defesa da doutrina ortodoxa contra heresias gnósticas e docetistas.

✍️ Justino Mártir (100–165 d.C.)

Embora não mencione uma data de nascimento, defende que Jesus é o Logos encarnado, pré-existente, vindo ao mundo em cumprimento das profecias messiânicas (cf. Apologia, I, 46).

"Cristo nasceu como homem para nossa salvação, conforme anunciavam as Escrituras."

✍️ Irineu de Lião (130–202 d.C.)

Destaca a recapitulação em Cristo: Ele assumiu nossa natureza desde o ventre da virgem até a cruz, redimindo todas as etapas da existência humana (Adversus Haereses, III, 22,4).

"Ele se fez o que somos, para que pudéssemos nos tornar o que Ele é."

✍️ Orígenes (185–253 d.C.)

Embora cético quanto à celebração do nascimento físico, exalta o nascimento espiritual de Cristo no coração do crente (cf. Homilias sobre o Evangelho de Lucas).

✍️ João Crisóstomo (347–407 d.C.)

Foi um dos primeiros a defender publicamente a celebração litúrgica do 25 de dezembro como data do nascimento de Cristo.

"Oh dia bendito em que Deus Se fez homem, para que o homem fosse restaurado em Deus!"
(Homilia sobre o Natal)

✍️ Agostinho de Hipona (354–430 d.C.)

Comenta que Cristo se humilhou ao nascer em carne, para nos exaltar à glória eterna.

"Ele nasceu temporalmente para que renascêssemos espiritualmente."
(Sermão 190, sobre o Natal)


2. 🧠 TEÓLOGOS CONTEMPORÂNEOS: ENTRE A CRISTOLOGIA E A CRÍTICA CULTURAL

Teólogos modernos recuperam o Natal como expressão da doutrina da Encarnação, mas também denunciam o sincretismo e o consumismo secular que tomou conta da festa cristã.

🕊️ Karl Barth (1886–1968)

Enfatiza a auto-revelação de Deus em Jesus Cristo. Para ele, o Natal é a boa nova de que Deus se aproximou dos homens, não por mérito, mas por graça soberana.

"O mistério do Natal é que Deus se fez um de nós, não como um símbolo, mas como verdade absoluta."
(Church Dogmatics, IV)

🔥 Dietrich Bonhoeffer (1906–1945)

Critica a superficialidade dos costumes natalinos. Para ele, o Natal é um escândalo da humildade divina, não um evento estético.

"Quem celebra o Natal sem confrontar-se com a cruz, celebra apenas a si mesmo."
(Sermões de Advento e Natal)

✍️ Paul Tillich (1886–1965)

Considera o Natal a revelação existencial de que o eterno invade o tempo, rompendo o desespero humano com esperança viva.

"No Cristo nascido, a eternidade entrou na história."
(The Shaking of the Foundations)

💡 C.S. Lewis (1898–1963)

Diz que o Natal cristão é a invasão do verdadeiro Rei em território inimigo, um evento radicalmente subversivo ao mundo naturalista e pagão.

"O Filho de Deus se fez homem para que os homens se tornassem filhos de Deus."

💥 N.T. Wright (atual)

Alerta que o Natal não é sobre sentimentalismo, mas sobre a chegada do Reino de Deus em Cristo.

"O nascimento de Jesus é o início de uma revolução: Deus tornou-se rei em forma humana."
(Simply Jesus, 2011)


3. ⚔️ CRÍTICAS AO NATAL MODERNO: DO CONSUMO À CELEBRAÇÃO MÍTICA

🛍️ Walter Brueggemann (teólogo e biblista)

Critica o consumismo litúrgico moderno, onde o Natal foi capturado por interesses de mercado.

"Estamos celebrando o nascimento de um Salvador com os mesmos valores que o crucificaram."

🧠 Carl Gustav Jung (psicanalista)

Sem ser teólogo, Jung fala dos arquétipos do “Filho Divino”, que aparecem em todas as culturas. Embora não negue a espiritualidade do Natal, aponta o risco de reduzi-lo a um mito psicológico universal.

"O arquétipo do herói salvador fala da necessidade humana por redenção — o Cristo histórico responde a isso de modo singular."


4. 📚 CONSIDERAÇÕES TEOLÓGICAS E PASTORAIS

PerspectivaÊnfase Principal
PatrísticaDefesa da Encarnação contra heresias, exaltação do mistério de Deus feito homem
ReformadoresNatal é ocasião de recordar a Graça, não rituais pagãos (Lutero, Calvino)
ContemporâneosCrítica ao consumo, ênfase na encarnação redentora e na justiça do Reino

🛐 APLICAÇÃO PASTORAL

  • Ensinar a igreja a discernir entre o Natal bíblico e o Natal cultural.

  • Celebrar com adoração, gratidão e proclamação do Evangelho.

  • Resgatar o significado cristológico e missionário do nascimento de Cristo.


📖 CONCLUSÃO:

O Natal verdadeiro é o mistério da graça encarnada, Deus assumindo nossa condição para redimir-nos de dentro para fora. Celebrar o Natal com consciência bíblica é proclamar:

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade..." (João 1:14)


Por Pr. Walker Henrique de Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento.