livro Genealogia do Conhecimento

sábado, 30 de agosto de 2025

Prosperidade a benção real e verdadeira.


 A Bênção que nos Alcança: Obediência, Amor e Eternidade

Muitas vezes ouvimos, em nossos dias, discursos que reduzem a vida cristã à busca por bênçãos materiais, como se a fé fosse um meio de alcançar prosperidade, saúde e conquistas passageiras. Porém, a Palavra de Deus nos ensina algo muito mais profundo: 
Quem está debaixo da obediência a palavra de a Deus, não corre atrás da bênção; é a bênção que nos alcança (Dt 28:2).

Isso significa que a vida cristã não é movida por barganhas ou pela expectativa de recompensas imediatas, mas por um amor sincero; Àquele que nos amou primeiro (1Jo 4:19). Obediência a Deus é fruto de um relacionamento sincero, não de conveniência. Amamos a Deus pelo que Ele é. Santo, Justo, Misericordioso e Eterno e não apenas pelo que Ele pode nos dar.

A maior bênção de todas não está em bens terrenos ou conquistas humanas, mas em termos o nosso nome escrito no Livro da Vida (Ap 20:15; Lc 10:20). Jesus mesmo disse aos discípulos que não deveriam se alegrar pelo poder sobre os espíritos, mas sim porque os seus nomes estavam registrados no céu (Lc 10:20). Eis o ponto central: toda bênção terrena é passageira, mas a vida eterna é o dom supremo de Deus, reservado aos que permanecem fiéis.

Do ponto de vista filosófico-cristão, podemos afirmar que a obediência a Deus não é uma condição de subserviência irracional, mas uma resposta livre e amorosa Àquele que é a fonte da própria existência. Diferente de uma visão utilitarista da fé, em que Deus seria apenas um meio para alcançar objetivos, a verdadeira espiritualidade bíblica é teocêntrica: tudo parte d’Ele, tudo converge para Ele, e tudo encontra sentido Nele (Rm 11:36).

Assim, quem vive em obediência não busca bênçãos como fim último; vive na presença de Deus, e esta presença já é a maior bênção. As demais coisas, como disse Jesus, são acrescentadas (Mt 6:33).

Portanto, que o nosso coração esteja firmado não naquilo que Deus pode fazer, mas no que Ele já fez: Cristo morreu por nós, ressuscitou e nos deu vida eterna. E que possamos descansar nesta verdade gloriosa: as bênçãos nos alcançarão no tempo de Deus, mas a maior herança já foi garantida, a salvação em Cristo Jesus.

O Tesouro que Vem do Céu.

Muitos buscam riquezas, conquistas e realizações nesta vida como se nelas estivesse o verdadeiro sentido da existência. No entanto, Jesus nos ensinou que o maior tesouro não está na terra, mas no céu (Mt 6:19-21).

“O tesouro que vem do céu” não é ouro, não é fama, não é conquista passageira. É a própria presença de Deus em nós, o perdão dos nossos pecados e a certeza de termos o nome escrito no Livro da Vida (Lc 10:20; Ap 20:15).

Isso nos ensina que a verdadeira felicidade não se encontra no acúmulo de bens nem na satisfação de desejos passageiros, mas no reconhecimento de que somente em Deus estão o sentido da vida, a plenitude do ser e a certeza da eternidade. Como disse Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti.”

Amamos a Deus não pelo que Ele pode nos dar, mas pelo que Ele é. Essa é a essência do amor cristão. Por isso, amar ao Senhor não é um peso, mas um privilégio que nos conduz ao descanso em Suas promessas e nos permite compreender a bem-aventurança que Ele reserva para os que O buscam (Dt 28:2).

Assim, o maior tesouro da vida não é aquilo que conseguimos segurar com as mãos, mas aquilo que a graça de Deus imprimiu em nosso coração e garantiu para a eternidade.

---

📖 Referências bíblicas para aprofundar:

Deuteronômio 28:2 – As bênçãos que seguem os obedientes.

Mateus 6:33 – O Reino em primeiro lugar.

Lucas 10:20 – O verdadeiro motivo da alegria.

Romanos 11:36 – Tudo é por Ele e para Ele.

Apocalipse 20:15 – O Livro da Vida.

Por Pr. Walker H Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Dizimos e ofertas

 


Dízimos, Ofertas e Votos: Fundamentos Bíblicos, Teológicos e Pastorais

1. Definição e Natureza

O dízimo do hebraico ma‘ăśēr significa literalmente “a décima parte” e, biblicamente, é a devolução ao Senhor de 10% de tudo o que recebemos, seja em forma de dinheiro, produtos ou bens (Lv 27.30-32; Ml 3.10). No Antigo Testamento, o dízimo era um ato de obediência e adoração, reconhecendo que “ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela há” (Sl 24.1).

A oferta do hebraico mincḥah é contribuição voluntária, expressão de generosidade que vai além do dízimo, podendo atender causas específicas (Êx 25.1-2).

קָרְבָּן (korban):מִנְחָה (minchá):
Ooutros usos:

O voto promessa solene feita a Deus, que envolve compromisso e fidelidade (Ec 5.4-5), e, quando vinculado a ofertas, demonstra amor e dedicação profunda ao Senhor.

“O dízimo não é um presente que damos a Deus, mas a devolução de uma parte do que já é d’Ele. A oferta é o transbordar do nosso amor. O voto é a aliança pessoal com o Senhor.” 

Adaptado de Agostinho de Hipona

2. Propósitos no Antigo e no Novo Testamento

No Antigo Testamento, o dízimo tinha três finalidades principais:

Sustento dos levitas e sacerdotes (Nm 18.21,28);
Manutenção do culto e refeições sagradas (Dt 14.22-27);
Ajuda social a pobres, órfãos e viúvas (Dt 14.28-29).

No Novo Testamento, o princípio permanece, mas com foco na promoção do Reino de Deus e ajuda aos necessitados (1 Co 9.9-14; Cl 2.10). Paulo reforça: “Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7).

“Deus não olha para o que damos, mas para o coração com que damos.”

— João Crisóstomo

3. Princípios Fundamentais

Reconhecimento da Soberania de Deus
Dízimos e ofertas proclamam que tudo vem de Deus e pertence a Ele (Ag 2.8; Cl 1.17). Abraão, ao encontrar Melquisedeque, respondeu à bênção recebida com o dízimo (Gn 14.20), reconhecendo o senhorio divino.
Cuidado com o Próximo
O dízimo comunitário, dado a cada três anos, atendia aos necessitados (Dt 14.28-29), reforçando que prosperidade sem misericórdia é estéril.
Continuidade do Princípio
O dízimo antecede a Lei de Moisés (Gn 14.18-22; 28.22) e é confirmado por Jesus (Mt 23.23) e pelos apóstolos (1 Co 9.13-14).
Como ensina Calvino:
“O dízimo é parte da adoração; sua abolição, sob pretexto de liberdade cristã, é roubar a Deus.”

4. Dízimo como Adoração e Mordomia Cristã

Dízimos e ofertas são expressão prática de adoração e mordomia fiel:

Honramos a Deus (Pv 3.9-10);
Demonstramos alegria (2 Co 9.7);
Exercitamos generosidade voluntária (Êx 25.1-2);
Sustentamos a obra e a missão da Igreja (Nm 18.21; 1 Co 16.2).

O dízimo não é barganha nem investimento, mas ato de amor e gratidão. Richard Baxter lembra:

“Aquele que dá esperando receber mais de volta não é adorador, mas negociante com Deus.”

5. Correções às Distorções Contemporâneas

A Teologia da Prosperidade deturpa o dízimo ao transformá-lo em moeda de troca. Jesus condenou a prática mecânica sem justiça, misericórdia e fé (Mt 23.23).

Precisamos evitar:

Dar por medo ou superstição;
Administrar o dízimo por conta própria (“Trazei todos os dízimos à Casa do Tesouro” — Ml 3.10);
Substituir o dízimo por ofertas menores;
Usá-lo como autopromoção.

6. Dimensões do Dízimo segundo a Tradição Cristã

O pastor José Gonçalves aponta quatro dimensões:

Religiosa — manutenção do culto e dos obreiros;
Social — assistência aos necessitados;
Missionária — expansão do evangelho;
Patrimonial — preservação e ampliação das estruturas da igreja.

Ireneu de Lião (século II) já defendia que o cristão deveria dar mais do que o dízimo, pois agora vivemos na plenitude da graça:

“Se sob a Lei davam o dízimo, quanto mais nós, que recebemos graça sobre graça, devemos dar liberalmente para toda boa obra.”

7. Conclusão Pastoral

O dízimo é um princípio eterno, a oferta é um ato voluntário de amor, e o voto é aliança de fidelidade. Quando os praticamos:

Reconhecemos Deus como fonte e dono de tudo;
Exercitamos generosidade e cuidado com o próximo;
Sustentamos a obra missionária e social da Igreja;
Cultivamos gratidão e desprendimento.

Assim, dizimar, ofertar e cumprir votos não é perda, mas investimento eterno. Como disse Charles Spurgeon:

“Eu nunca conheci alguém que fosse fiel a Deus em suas contribuições e empobrecesse por isso. Mas já vi muitos se enriquecerem espiritualmente ao darem.”


Por Pr. Walker H Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Conectados a Cristo no Mundo Digital


 
Conectados a Cristo no Mundo Digital

Texto base: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12:2a).

Vivemos na era da conexão total: redes sociais, aplicativos, mensagens instantâneas. Mas, em meio a tantas notificações, muitos têm perdido a conexão mais importante, a comunhão diária com Deus.

A tecnologia pode ser bênção ou armadilha. Pode servir para edificar, evangelizar e compartilhar a Palavra, ou pode se tornar instrumento de distração, orgulho e pecado. A diferença está no coração de quem usa.

Cristo nos chama a sermos luz no mundo digital. Isso significa filtrar o que consumimos, vigiar o que publicamos e garantir que nossa presença online reflita a presença de Cristo em nós.

Hoje, antes de rolar a tela, pergunte: isso me aproxima de Deus ou me afasta d’Ele?

📖 Para meditar: Filipenses 4:8 – “Tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama… seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”


Conectados a Cristo na Cultura-Tela: Valores Cristãos na Era Digital

📖 Textos base:

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine” (1Co 6:12).

1. A Era da Conexão Total e o Neoestrelato

Vivemos na era da conexão total, redes sociais, aplicativos, transmissões ao vivo e mensagens instantâneas. O poder midiático das redes derrubou a hegemonia cultural dos grandes estúdios de cinema e televisão: hoje, qualquer pessoa pode se tornar uma “estrela”.

O filósofo Gilles Lipovetsky chama isso de neoestrelato: a celebridade que é conhecida apenas por ser conhecida, cuja “obra” é existir no espaço da mídia. André Lara Resende sintetiza:

“Enquanto o herói clássico adquiria fama por agir no espaço público, o herói pós-moderno, a celebridade, adquire fama por aparecer, o termo existir seria inadequado no espaço da fantasia.”

Essa lógica do estrelato não poupa nem mesmo a igreja evangélica, onde muitas vezes a exposição substitui a missão.

2. O Histórico Cristão com as Tecnologias

Desde a imprensa de Gutenberg, passando pelo rádio, televisão e agora as plataformas digitais, os cristãos têm usado a tecnologia para espalhar o evangelho. Mas, se a ferramenta é neutra, o uso dela não é. A tecnologia pode ser bênção ou armadilha; edificar ou distrair; glorificar a Deus ou inflar o ego.

Tudo depende do coração de quem usa.

3. Cinco Perguntas Bíblicas para o Mundo Digital

Como pessoas livres em Cristo, devemos avaliar nossa vida online com critérios claros extraídos de 1 Coríntios:

  1. Isso me escraviza? (1Co 6:12)
    O vício virtual é real. Cuidado com o “culto ao sincero”, expor tudo não é santidade, é escravidão à opinião alheia.

  2. Isso é um bom exemplo? (1Co 8:9)
    Nosso comportamento online influencia, podendo edificar ou derrubar a fé de outros.

  3. Isso edifica? (1Co 10:23)
    Minhas postagens aproximam as pessoas de Cristo ou espalham raiva e caos? O cristão é “ministro da reconciliação” (2Co 5:18).

  4. Isso glorifica a Deus? (1Co 10:31)
    Nas redes centradas no selfie, é fácil cair no narcisismo. Qual é a minha motivação?

  5. Isso anuncia o evangelho? (1Co 10:32-33)
    Como um não cristão interpretará meu conteúdo? Aproximará ou afastará?

4. Valores Cristãos para a Geração Conectada

A era digital apresenta oportunidades e riscos para todos, mas especialmente para os jovens. Os valores cristãos, como o amor, respeito e comunhão são o norte para navegar nesse ambiente.

  • Amor: antídoto contra a desumanização. Ensinar empatia, evitar discurso de ódio e usar as plataformas para servir.

  • Respeito: cultivar debates saudáveis, preservar a privacidade, pedir consentimento antes de compartilhar.

  • Comunhão: criar e participar de comunidades virtuais que fortaleçam a fé, como grupos de oração e estudo bíblico.

5. Fé e Discernimento Cultural

A era digital molda a cultura e a política. Precisamos de uma fé sólida para engajar com integridade:

  • Engajamento consciente: usar as redes para promover justiça, paz e valores do Reino.

  • Discernimento cultural: consumir e produzir conteúdo que glorifique a Deus e edifique o próximo.

6. Práticas para um Uso Saudável da Tecnologia

  • Equilíbrio: evitar a dependência e reservar tempos de “detox digital”.

  • Educação digital: desenvolver senso crítico, identificar fake news e proteger-se de riscos cibernéticos.

  • Intencionalidade: antes de rolar a tela, perguntar: Isso me aproxima de Deus ou me afasta d’Ele?


Por Pr. Walker H Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento.

domingo, 10 de agosto de 2025

Esperança Inabalável em Deus, Nosso Refúgio


 Esperança Inabalável em Deus, Nosso Refúgio

Texto base: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” (Salmo 46:1)

Em tempos marcados pela instabilidade social, política e econômica, bem como pelo aumento da violência e da insegurança, a experiência humana é frequentemente envolta por um sentimento de incerteza e temor. No entanto, a mensagem bíblica nos convida a direcionar nossa esperança não às circunstâncias mutáveis deste mundo, mas ao caráter eterno e imutável de Deus, que permanece fiel em todas as gerações.

O salmista nos apresenta Deus como nosso refúgio, uma expressão que denota um abrigo seguro, uma proteção divina onde o crente pode se ocultar das tempestades da vida. Além disso, Deus é chamado de fortaleza, indicando Sua força invencível, que sustenta o fiel em meio às provações e ataques espirituais. Essa metáfora ressalta a suficiência de Deus para proteger e preservar o seu povo.

Essa segurança não depende da ausência de problemas, mas da presença constante e poderosa de Deus em nossa história pessoal. Assim, mesmo quando os ventos da adversidade sopram forte, ou as trevas da angústia se apresentam, a Rocha da nossa salvação permanece inabalável e a Luz da Sua verdade jamais se apaga.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Filipenses (4:7), nos assegura que a paz de Deus, que transcende todo entendimento humano, guarda nossos corações e mentes em Cristo Jesus, capacitando-nos a enfrentar o caos com serenidade e confiança.

Portanto, o chamado pastoral e espiritual hoje é claro: devemos firmar nosso coração na esperança que não se abala, que tem sua âncora na fidelidade soberana do Senhor. Ele é o Deus que governa todas as coisas e, ao confiarmos n’Ele, permanecemos seguros, mesmo quando tudo ao redor parece ruir.

Para meditação e fortalecimento da fé:

“Só Ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado.” (Salmo 62:6)


Por Pr. Walker H Souza – proclamando a verdade da Palavra que transforma o entendimento.